quarta-feira, 4 de abril de 2012

Papel, Caneta e Emma Morley

Apago. Acabei de apagar as luzes do quarto. O tom de iluminação do computador é baixo e eu prefiro assim. Tenho duas ideias para expor hoje, mas talvez não consiga fazê-lo. Observo volumes (e literalmente) de papéis sobre a minha mesa. Escrevinhações que nem eu poderia saber organizar. Berenice estará daqui a pouco em casa para pôr ordem nesta bagunça. Só ela consegue, às vezes. Acabo de constatar que estou com minha caneta preta predileta sobre a orelha direita, assim como fazem os professores carrascos de química, física e matemática - e por mais que essas matérias apresentem a mesma regra de acentuação gráfica, não consigo encará-las muito bem. Anotações para um quem sabe. Pensamentos, projetos megalomaníacos e coisas afins. Todas essas coisas são fielmente guardadas.

Nesta nossa década de extremismos e ansiedades, fica muito difícil se controlar. O Jato-Leg, o 6D, Frequent Flyer e sei-lá-mais-quê. Todas as coisas são motivos. É tanta informação nesta minha timeline, gente! Ouço vozes na área externa, mas não vou me importar. É que para mim, esquizofrenia também tem limite. Pronto! Coloquei os fones nos ouvidos. Meu telefone acabou de tocar: que tipo de pessoa ligaria pra você sem identificação de chamada, às 4h23min? Como se diz "não vai rolar", em inglês? - Desliguei o telefone e agora sim, podemos conversar.

Sinto que o fim de um ciclo da minha vida está chegando ao fim. Tento não me prender muito a essas coisas. E não me prendo, de fato. Preciso arrumar algumas malas, algumas ideias, levantar voo. Com vinte e pouco anos, a gente começa a sentir o verdadeiro gosto da liberdade. Esqueça as sensações pitorescas da adolescência. Liberdade não tem nada a ver com espasmos imaturos, nem muito menos com aquilo disposto na Constituição Federal. Festa, sexo, cigarro e fantasias, até fazem sentido aos 17, mas não mais que 15 minutos. Não que eu seja fumante ou assexuado ou precoce. Longe de mim parecer tão desnecessário. É que nós, desta geração, sempre quisemos fazer aquilo que não combina muito com a gente. Não me vejo fumante, muito menos assexuado e...

Estou lendo pela segunda vez "Um Dia", de David Nicholls. Tenho hábito de repetir a leitura, quando me simpatizo com ela. A Ideia de amor dele é previsível, mas mexe com as imaginações. Fiquei sabendo que resultou num filme estrelado por Anne Hathaway. Engraçado, porque, eu não consigo desvincular sua imagem à de Emma Morley. Leio pensando como a atriz agiria. Coisas de fã. Começo a ouvir aqueles pássaros chatos anunciando o fim da noite: por hora, chega de fones, chega de música aos ouvidos. Chega de Nutella. É hora de dormir. Quer dizer, deitar um pouco. O corpo pede, devo obedecê-lo. Marquei com Joaquim às 7h na cantina do mercado para comermos alguma coisa antes de trabalhar. O problema é que já são 5 da manhã e eu ainda nem dormi. Está amanhecendo. Boa noite, queridos.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Eu Disse Que Poderia Chover

Sou aquele que observa a madrugada pelo vidro da janela, que abre a geladeira e pega o chocolate só para ler às "informações nutricionais". Sou aquele que deixa a TV ligada no canal preferido só para ter certeza de que não existe nem silêncio, nem  inocentes. Sou aquele que abre um livro e torna a ficção real. Que ler bulas de remédios para se certificar de que estará vivo, na manhã seguinte. Sou hipocondríaco e não necessariamente diferente. 
Lá fora está tudo alagando e eu espero que as autoridades encontrem um jeito eficaz e rápido de socorrer aquelas famílias. Sou daqueles que não toleram a intolerância. Muito feio da minha parte, eu sei, mas é que também sou imperfeito.
Ultimamente, ando buscando conformismo numa boa xícara de café. Não há nada de errado nisso. E se for verdade que café emburrece, desculpem-me, é que eu jamais poderia ser tão covarde. Esqueçamos as metáforas. Serei concreto e efêmero. É possível e causa menos dor. Hoje é o que sinto. Amanhã, não. Instabilidade é algo bom, significa mudança; ruim, é esse conceito tacanho que muitos deram à figura da incapacidade, denominando-a de "inveja branca". Penso que o caminho é longo, que o aprendizado é longo e que estou cansado. Jovens cansados. Não me importo com rótulos. Não é porque vivemos num país subdesenvolvido que deveremos agir ou pensar como subdesenvolvidos. 
Sou aquele que busca no suor, a liberdade e, no sono, a paz pra tanta busca. É que essa mania que as pessoas têm de tentar achar culpa em alguém está monótona e decaída. Hoje, não temos tempo para muita coisa.
Esqueçam a ideia de final dos tempo. O mundo acaba agora, daqui a pouco e amanhã. É uma constante. Tudo é instabilidade e todos precisam de 2 doses de Vodca para entender o quanto é vívida a vontade de tentar estar vivo.

A vida não é justa. Supere a isto.

Abraços.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Berenice. Enfim, Dezembro

...Quisera, eu, ser Peter Pan. A criança que não cresceu, mas que sabe voar.

Sobre as monotonias, os tédios, as pessoas que décadas depois, ainda continuam as mesmas. Mudar é necessário. Eu mudei. Todos mudam. A médio ou longo prazo, todos mudam. A vida molda.
Era um dia comum, como uma semana qualquer, cheio de espectativas. Não fosse a tensão dos sofrimentos causados pela agonia incessante de poder dominar alguns sentimentos introspectivos, imaturos e desleais tudo estaria perfeito. Perfeito. Uma dúvida. O mundo acaba ano que vem e eu ainda não descobri o que é ser perfeito. Não que eu tente ser. Não, não é isso. Na verdade, peco por tentar não ser perfeito. Não acredito em modelo de perfeição. São forjados. Falsos. Mortos como um manequim.
Contam por aí, que quando conseguimos interpretar os significados das coisas, quando aprendemos o que tivermos de aprender, partimos. Talvez, comece a fugir dos aviões, carros, rios, pessoas e amores. Todos esses elementos podem ser mortais. Letais. É que tudo está tão sem sentido. Conheci uma pessoa. Sim, conheci uma pessoa! Quer dizer, não no sentido que, sem querer, deixei você imaginar. Alguém contrário às minhas concepções. Talvez, ela nunca saberá o quanto foi (ou está sendo) importante para mim. Eu sou são, ela é vã; ela é astuta, viril. Sou racional, já ela irracional.  Eu, sóbrio, ela... nem tanto. Ambos lícitos. Ou ilícitos, vai depender de quem promulgar tal juízo de valor. Não se trata de soberba e nem maniqueísmo. Todas essas antíteses não me tornam melhor. Longe disso. Aprendi a fingir bem. Na minha futura profissão, isso é comum. Acho que não me sairei tão mal. Admiro quem consegue, pautado na plenitude de ser o que é, na qualidade de lutar por si só, uma vida plena. Sem manchas, sem sofrimentos e rancores. Desculpa. É que alguns rancores são necessários. Duvide daquelas pessoas que acordam, logo cedo, proferindo ao mundo o quanto é feliz. Duvide daqueles que te enchem de palavras altruístas. Elas são as mais reprimidas - e deprimidas. Não saberão sustentar isso para sempre. Apenas observe. Não julgue, mas observe.
Vejo minha história retratada num filme e concluo que, depois de um tempo, talvez mais algumas décadas, outras pessoas, outros sofrimentos, outras angústias, vidas estarão aqui, no meu lugar. Não somos únicos e seremos substituídos.
Em algum lugar da minha história, li algo parecido com "o que quer que faça na vida, será insignificante, mas é importante que o faço porque ninguém mais o fará...". Concordo, assim como tantos outros, somente com a primeira parte. Não acho que devemos ser obrigados a falar, a escrever ou a ser o que já foram e fizeram por nós. Não seguir uma ordem ideológica, não significa não ser ideal, não ser socialmente permitido. Não tenho mais idade para ser 'rebelde' e nem muito menos distorcer as coisas da vida. O que quero, é apenas deixar claro certas distinções e espero, sinceramente, estar sendo claro o suficiente. Decepcionante, não?
Provavelmente, este será o último post do ano e não quero perder a oportunidade de desejar a vocês, mais entusiasmo. Entendo. Todos estamos cansados e nosso entusiamo parece derreter junto à Camada de Ozônio. Tentem ficar bem no próximo ano. Tentem estar bem. Não deixem de fazer nada que queiram, mas tenham tamanha responsabilidade e maturidade para arcar com essas prazerosas consequências e se por algum motivo não der certo, não conseguir ou achar difícil: Peter Pan estará bem em qualquer lugar onde estiver mamãe, afinal, como a própria tradução daquela canção de 'ninar', diz: "Não há lugar como a casa da gente". Lá, você pode tudo e terá razão.


É só pensar em coisas boas que a gente voa.
Até 2012.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Do Papel Vintage

Não acredito, definitivamente, em destino. Em coisas escritas por sei lá quem, sobre nossas vidas acerca do que seremos. Somos 'livres'. Ponto. Daí o conceito "livre arbítrio".
Não imaginem dias melhores, certo? Seria feio e soberbo querer um mundo melhor, pintado por vocês próprios, ideologicamente. Nós somos livres...
Está muito calor lá fora e o abajour reflete a escuridão que está aqui dentro. É que eu apaguei a luz do quarto para parecer mais vintage. A mesa está organizada. Como sempre, afinal. Sei que estou sendo observado num intervalo e outro, da TV. Educado e gentil. O café que trouxera pra mim, está quentinho e combina com a temperatura baixa aqui de dentro. Ouço pequenos e silenciosos sorrisos. Murmúrios. Acho que a televisão é mesmo uma coisa entusiasmante. Meu mundo possui 85m² com vista para o oceano. Pele. Olhos. Boca. E que olhos. E que boca. Nem eu acredito.
Já é fim de ano e renovei minhas forças antes mesmo dele acabar. Estou pensando em projetos, conflitos. Há muito no que pensar... infelizmente.
Eu escolho minhas companhias. Isso é saudável, hoje em dia. Faz parte do meu 'eu lírico', inclusive. Ontem, observei algumas pessoas. Elas mentem tão bem. Outro dia fui assuntado sobre críticas que fiz no Facebook. Críticas abstratas e impessoais. Pediram para eu guardá-las porque assim, resumidamente, seria, de certa forma, mais elegante. Foi isso? Enfim... Elegância nunca dependeu de censura. É como se a ditadura fosse feita de liberdade. Antíteses.
Piso certo. Ando certo. Piso de tal forma que julguei como quis. Mas meus pés doem. Vai ver eles sempre doerão, mas tudo bem. Levarei um tempo para me acostumar. Talvez, precisarei de algumas mentirinhas, duas rezas, um psicólogo. Não me importo. Vivo num século em que tudo isso é possivelmente permitido... Honestamente? Meu tempo acabou. Chegou a hora de começar a acordar e aprender a desfrutar daquelas sensações inenarráveis que estão tão nítidas, sobre a cama. Vou dar assistência ao meu 'ego'. Ele precisa de mim e eu dele. Aliás, que cama quentinha, amor!


Um beijo me acordou antes das 21h e eu permaneci com aquele gosto bom de preguiça, nos lábios, por alguns minutos. É o que temos de melhor: um ao outro.
 
 
Sei lá por quê.
Amo-te.

Boa noite.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sobre Qualquer Coisa

É manhã. O dia acorda. Os hálitos sempre agradáveis, dizem sobre a tempestade que vem vindo. O coração é grande e não cabe numa penteadeira. A roupa certa, o sapato certo e os vizinhos errados. O barulho arranca o humor e o café o traz de volta. Aliás, café com leite. Sempre. Livros, cadernos. Ah! O relógio: o trabalho. E ainda dizem que o trabalho enobrece o homem... Não há homem, nem mulher. Assexuados! O carro voa, a música que se ouve, soa. Pessoas saindo. Pessoas e a tempestade. E tinham os desejos. Não havia ninguém. Ou seja. Desejo sem alguém é como uma relação sexual egoísta. Homens. Relação sexual egoísta: solitária. Vocês me entendem?
Chovia. Mas, já era quase noite. Que tempo.
No quarto, corpos. A alma ardia e os barulhos suprimidos pela educação entorpeciam. O calor dos corpos era tolerante e não menos inconveniente. Sobre a solidão, queimava.
Acerca do sexo que não se fez, que não se viu e nem nunca sentiu. Sobre a dor que nem Alfredo sabia qual era. Por onde andam as pessoas solitárias? Mostrem-se, mas, por favor, permaneçam solitárias. Onde estarão os certos? Par perfeito, em pleno século XXI, é tão... Vocês não acham?
Atentem-se. Não é sobre a denotação da palavra 'sexo'... existem algumas formas de se fazer isso. Uma delas, e talvez a mais memorável, por exemplo, é elucidada através do olhar. Olhem mais! Queiram observar aos olhares: eles sempre vão dizer alguma coisa. No meu caso, sempre denunciará o amor que finjo, talentosamente, todo dia. Apeguem-se ao olhar. O mundo não permite fatos mais explícitos.
Andaram me ligando, mas a moça de bons modos respondeu por quem não deveria: "Sua chamada esta sendo encaminhada para..."
Sobre o sexo que alguns e outros não têm. Sobre as irrealidades masoquistas...

Sobre as impotências da convivência e do amor...

 Boa noite.

domingo, 31 de julho de 2011

Dos Sentimentos Que Alfredo Sente Hoje

Índios educados estavam na escola.
Ricos, podre, favelados... feios, não. Com preconceitos, construíam suas condutas, preferências. Observei, enquanto eles escreviam o que estava no quadro, seus comportamentos. São iguais, mas acreditam ser diferentes. Maria, Fernanda e Raquel queriam sair na foto. Havia Pedro - o mais cobiçado. Existiam outros, mas me atentei a Pedro. E tinha Alfredo. Menino estranho. Um pouco esquelético... e não estou falando de formas físicas. Fernanda olhava tentando achar qualidades inexistente, mas fantasiadas. Maria, apresentada, com segundas intenções, insinuava-se de forma imperceptível a Pedro. Viam Pedro com segundas intenções. Ele não era feio. Era excitante... para elas. As garotas sonhavam ter um "Pedro" na vida, e em pleno século "XVIII" (mas, não é XXI?), todos no sentido apenas masculino da palavra, dormiam com ele na cabeça, altivez... no banheiro. Pervertidos. Não? Quem se importa? Em algum momento, na vida, teremos de ser pervertidos.
Voltemos aos fatos: ninguém queria Alfredo.

"Tira foto com ele", "Não quero, não", "Chama Alfredo...".

Como se tirar fotos com Alfredo fosse o equivalente a passar vergonha, uma indignidade. Alfredo não queria mais. Ele sentiu o dor da rejeição. Na verdade, ele sempre sentiu. Alfredo levantou-se devagar, colheu suas coisas e foi embora.

O que ninguém imaginou é que Alfredo foi, é e por toda existência será o melhor e mais interessante de todos eles...

sábado, 2 de julho de 2011

Cartas Para Romeu, Julieta E Outras Irrealidades

Outrora passeava nas ruas vastas de silêncio e névoa. Estava frio por ser noite e não por ser inverno. Descobri que Romeu, não é um grande personagem que transcendeu sua época. Era tão solitário e romântico que se autodestruiu. Na escuridão daquele lugar, e eu me refiro às análises do seu 'eu', a única lembrança que conseguira concluir fora a redoma de medo que o assustava sempre que necessário. Niilista. Maniqueísta. Errar não. Talvez, perder. Não havia motivos para ser tão pessimista. Não. Não havia. Mas ele era.
Agasalhado e bem apropriado para uma noite sulista, Romeu sentou-se no alto de uma serra onde havia inúmeras plantações de vinho, e, de forma homeopática, começou o seu procedimento. O último da sua vida. Até ali, não existia nada de indigno. Muito pelo contrário, acredito. Três... Cinco... Sete... Nove. Foram dez, ao todo. Apenas dez motivos que o levaram a tomar aqueles dez comprimidos mortais.
Depois disso, sentiu suas vistas atrofiarem, diminuírem. Suas pernas adormeciam, involuntariamente, e enquanto tentava observar seus braços trêmulos, sentiu a primeira parada cardíaca. Sufocante, a única coisa que conseguira pensar foi: "E assim, de forma heroica, despeço-me desta vida tentando entendê-la. Entender não apenas aos motivos, mas às razões. Há tanta distinção neste mundo que vos deixo, miseráveis, quanto àquela que atribuo aos motivos e às razões. Freud, meu querido, Julieta que me perdoe, mas é dessa sensação que tudo em mim sentia falta. Morrer dói menos do que imaginara. Dói menos que viver...".

Julieta e a irrealidade: homônimas.

23h45min. Romeu não estava mais com tanto frio.

Até mais.

domingo, 3 de abril de 2011

Apogeu

E dos sonhos que sonhara, nem o cobertor trouxera. Bem-vindo ao futuro e a um lugar, já, habitável e não menos convencional.
O que é pior? Amar e não ser amado ou não ser capaz de amar?
Hoje, o mundo anda bem diferente. Diria. Apressado. Talvez, até demais. Não se ouve questionar o quanto um dia demora para acabar; não se vê chuvas em verão ensolarado e tardes tranquilas. Telecine e HBO? Aos domingos e se quiser. Observa-se menos, busca-se mais. Calma! Eu também já superei essa fase. Dissertar acerca da soberba, do orgulho, falsas amizades, ambição ensurdecedora e outras história afins, não pertence mais a esta pobre mente que vos exprime. É da realidade que quero falar. Da outra realidade. Da realidade mais madura e objetiva.
Borboletas migram. O terceiro mundo deixa de ser terceiro muito e vira 'pseudoterceiromundo'. Quem era satisfeito, no entanto... Silvio Santos viu a coisa preta e Preta Gil se ofendeu com o tal deputado que de tanto falar a verdade, vai acabar dando-se mal. É isso, gente. O mais cômico é saber que o mundo anda regredindo imaginando estar progredindo. Mudamos. Claro! As concepções passaram a ser outras. E como diria o autor, "como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos muito bem". Tudo aquilo é feio, estranho e antiético. Tudo aquilo é tolerável, bonito: anormal? O que é ser normal, ora bolas? Todos nós sabemos o que é ser normal. Como é bacana ler no Facebook algo do tipo, "...Mas, livrai-me do senso comum!", e outros ainda arriscam com um "Amém!", no final. Como se isso os absolvessem de alguma coisa. Parem! Isso é feio. Estranho e anormal. Normal, caros leitores, é respeitar às pessoas. É pensar comumente e, modernamente falando, respeitar o desrespeito dos outros. Fugas e fingimentos. Apenas isso. E por falar em coisas deste mundo: José Alencar morreu, Lula deixou o poder (dizem as más línguas que não) e o Big Brother, quem diria, quis fadar ao fracasso. Ana Hickmann caiu no samba, a Sandy tornou-se 'devassa' e José de Abreu ganha prêmio de ator coadjuvante em "O Discurso Da Rainha" - ou será rei? -, permitam-me a ironia em duplo grau de jurisdição. Das dores que mais perturbam o mundo, o não respeitar respeitando, é a mais sonora e desconfortante. Sabe o que aflige à sociedade? Ouvir o que ela é: co-no-ta-ti-va. Os tempos estão outros e, desistam, o mundo não acabará em 2012. Jamais quem quer que seja, seria tão justo assim. Escatológico. Não? E a propósito. Biscoito de gergelim com linhaça dourada é tão bom quando misto-quente.
Morrer por amor, hoje em dia... surpreendentemente, existe! E daria até um filme digno de grandes bilheterias. Solidariamente, consigo enxergar algo bonito nisso. E você, morreria por amor? Entenda. Quem de nós não quer alguém legal, educado, gentil, romântico, 'que cheire bem e ouça Caetano'? Pois é. Só que nós, também, não somos tudo isso. Aprendemos a querer utopias que nem mesmo a gente consegue idealizar. Não é apologia às dores alheias. Não! Louvável faz-se quem pode e consegue amar sem nenhum tipo de julgamento vil.
Ah! Mundo. Mundo cruel e tirano. O que faz aqui, flutuando sobre minha cabeça?
Repito. O que é pior? Amar e não ser amado ou não ser capaz de amar? Mas, ...

...Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
– Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos? (...)

Sim, William Shakespeare, meu querido. O pensamento, assim, acovarda-nos. Sonhar, sonhar... talvez, dormir? É isso, produção? Também, não! O mundo está invertido e Ofélia já morrera.
Continua indo devagar, agora... Bela. Ofélia.

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Até mais.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Quando Nietzsche Chorou

Árvores desfolhavam feito cólera no jardim. Pedaços de rosas não cabiam dentro de um buquê. O sol ardia e mútuas palavras caíam inconscientemente. Começou a chover e o presságio deu-se apenas por satisfeito. Convulsões de emoção tomavam conta do coração como se fosse a última vez que pisara no chão firme que tanto lhe dava proporção. Doía ter que deixar o controle das coisas possíveis às mãos de quem nem sabia o que queria. Choros agonizantes, queimavam ao proferir 'como fui feliz', 'como deveria ter dito', 'como queria estar lá'; e, às pessoas daquele tormento: 'saudade de todos vocês'. A chuva ainda era forte e a luz das casas habitadas já havia se extinguido há horas. As dores não passaram e o lamento resultou-se em desespero fortuito, sincero e calado como se fosse um surdo-mudo analfabeto. As linguagens se confundiam e a vontade de encontrar no último suspiro a razão de ter existido, era maquiavélico, duradouro e úmido. Quando Nietzsche havia chorado, pétalas de rosas já não tinham os mesmos significados; amores, já eram o bastante e sonhos nem existiam numa civilização tão miserável de percepção. Bastou uma gota daquela chuva para devastar o que ainda restara de bonito no mundo. E o mundo era ele. Frustrações, desejos, ódios e hostilidades. Existiam vários mundos assim, mas quando Nietzsche chorou, restou o nada como forma de absolvição do lindo pecado que é viver. Uma única gota. Um único sentimento de solidão. Mas, existia um paradoxo em não existir solidão e Nietzsche. Uma única lágrima bastou para que os sonhos se desvairassem feito bala de morango na boca de uma criança bem-amada. Não nos deram a dimensão dessa grande catástrofe. Maniqueístas propagaram uma piscadela e tudo se apagou. Feito chama acesa, o mundo se foi e Nietzsche não poderia mais chorar por falta de opção e egoísmo... Nietzsche havia chorado; já o mundo... . E não fora por falta de opção e egoísmo.

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Até mais, queridos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Do Casamento Da 'Alice No País Das Maravilhas'

Amanheceu. Pedro esta só. Toma café, ler o jornal, assiste ao telejornal: deita na cama, no quarto, e sente pela última vez a alegria de estar só. Olha à parede, e vê a roupa perfeitamente desenhada para o seu corpo. Pensa em tudo que viveu antes daquele dia. Lembrara do amor que o sustentou até que a morte... Bem. Até que a morte o tenha dito.
No jardim, olhos e penteados exorbitantemente bonitos; corpos bonitos... No altar improvisado e delicadamente arrumado, duas pessoas célebres. Uma, a mãe; outra, o pai. O Coelho Branco olha, lá de trás, suas angústias... A Rainha de Copas, pretensiosamente, atira um olhar desafiador... O Chapeleiro Maluco pela primeira vez sussurra: "O tempo dirá que além de ser meu pior inimigo, resolverá a situação de Pedro".
Felicidade, beleza, dinheiro e amor? Eis uma consumação ardentemente desejável de que dissera Shakespeare. Desista. Sonhos são demais para a vida... "Não se enganem", disse o Gato (idiota) Risonho, "Pedro ouviu a tudo e lutou contra todos". Na verdade, ele estava impregnado de medo. O medo é célebre? Ou covarde? Bonito ou feio? Divino ou infernal? "É tudo isso!", gritou a Branca de Neve colocando seus sete anões na história errada.
E quanto ao amor, já diziam as más línguas, In Wonderland, até hoje não se sabe para onde foi naquele sol...